A disputa pela liderança da economia mundial

O PIB (Produto Interno Bruto) é soma anual das riquezas produzidas por um país, e a soma do PIB dos países é PIB mundial, que em 2010 foi de US$ 62.909 trilhões de dólares de acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Um destaque especial foi que China tomou do Japão o posto de segunda maior economia do mundo em 2010.
Em linhas gerais, a forma de cálculo do Produto Interno Bruto – PIB (GDP – Gross Domestic Product), de um país é através da Paridade de Poder de Compra – PPC (PPP- Purchasing Power Parity); que mede quanto uma determinada moeda pode comprar em termos internacionais e em dólar, corrigindo as diferenças de preço de um país para outro para se chegar mais perto de números realistas.

Foi adotado pelas Nações Unidas em 2003 e o PIB/PPP tornou-se um modelo em todo o mundo. Em 2010, o PIB do Brasil pelo PPP ficou em US$ 2.090 trilhões, ocupando a posição de 7ª maior economia mundial, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Pelo quadro abaixo, entenderemos melhor as posições das maiores economias do mundo e também porque foi criada a sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), para representar os países emergentes da atualidade, onde os que mais se destacam são a China e o Brasil.

PIB mundial em US$ – 2010
Posição País Trilhões de US$ %
1º. Estados Unidos 14.657 23.3
2º. China 5.878 9,3
3º Japão 5.458 8,7
4º. Alemanha 3.315 5,3
5º. França 2.582 4,1
6º. Reino Unido 2.247 3,6
7º. Brasil 2.090 3,3
8º. Itália 2.055 3,2
9º. Canadá 1.574 2,5
10º. Índia 1.538 2,4
11º. Rússia 1.465 2.3
– Demais Países 20.050 32,0
Total PIB Mundial 62.909 100,0
Fonte: FMI (Fundo Monetário Internacional)

Podemos verificar que os Estados Unidos estão na dianteira com um PIB de 2,5 vezes maior que o da China, significando que dificilmente será alcançado pelo 2º. colocado, mesmo com uma previsão de crescimento da China de 10% ao ano. Também o PIB dos Estados Unidos tem uma participação indireta dos produtos chineses.
A China terá que sanar vários problemas internos, tais como:
a-) Energia suficiente para atender o crescimento, pois já está fazendo racionamento.
b-) Fixar o homem no campo, pois a migração para as cidades é muito grande.
c-) Criar um sistema de proteção social á população.
d-) Diminuir a pobreza de milhões de pessoas.
e-) Controlar a poluição devido ao uso de carvão mineral e petróleo.
f) Melhorar a distribuição de renda pagando melhores salários, a “renda per capita” anual da China é de US$ 6,600 contra US$ 46,400 dos USA.
g-) O crescimento depende das exportações e dos subsídios do governo.

Fazendo-se uma análise dos países participantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), também fica mais claro com os dados do quadro abaixo:

PIB dos Países Pertencentes ao BRIC
País Trilhões % do % do
US$ BRIC PIB Mundial
China 5.878 53,6 9,3
Brasil 2.090 19,0 3,3
Índia 1.538 14,0 2,4
Rússia 1.465 13,4 2,3
Total 10.971 100,0 –

Da mesma forma que o PIB dos USA é 2,5 vezes maior que os da China, o PIB da China é 2,8 vezes maior que o do Brasil, dificilmente o Brasil alcançara a 1ª. posição no BRIC (países emergentes).

O Brasil terá que sanar inúmeros problemas internos, tais como:
a-) Redução dos gastos públicos governamentais
b-) Reduzir a corrupção
c-) Investir o dobro principalmente em Educação e Saúde
d-) Redução dos impostos e contribuições pela Reforma Tributária
e-) Investir ou subsidiar investimentos no Norte e Nordeste.
f-) Reduzir os partidos políticos e o número de parlamentares por Estado e Municípios, pois dificultam aprovações de projetos importantes para o país.
g-) Reduzir os ministérios e promover funcionários experientes de carreira (concursados).
h-) Reduzir as taxas de juros.

Dentro do posicionamento atual, e das dificuldades internas dos dois principais países do BRIC (China e Brasil) não tendo dívidas externas, credores do maior devedor mundial o soberano USA, este “ranking,” provavelmente não irá se alterar nos próximos vinte anos.

Outro ponto relevante de análise é o comparativo da dívida mundial que é de US$ 59.090 (trilhões de dólares) contra as reservas monetárias mundiais que é de apenas US$ 10.008 (trilhões de dólares), sem levar em consideração as reservas e recursos naturais (ouro, petróleo, carvão, ferro, etc.); isto significa que o mundo não consegue pagar-se a si próprio, ficando ainda US$ 49.082 (trilhões de dólares), provavelmente contratos e papéis sem cobertura, dados em garantia.

Desta dívida mundial os USA e Reino Unido, responsáveis por US$ 23.373 (trilhões de dólares), que corresponde a 39,5% e Alemanha e França responsáveis por US$ 9.411 (trilhões de dólares), que corresponde a 15,9%; mais da metade da dívida mundial concentra-se nestes países.

Outros 30% da dívida US$ 17.702 (trilhões de dólares) estão distribuídos proporcionalmente, US$ 2.200 (trilhões de dólares) em média, para cada país, Holanda, Japão, Noruega, Itália, Espanha, Irlanda, Luxemburgo, Bélgica e Suíça. Os restantes 14,6% da dívida US$ 8.604 (trilhões de dólares), ficam com demais países.

Concluímos que, os países com maior possibilidade de crescimento pela capacidade produtiva e recursos naturais são China e Brasil, desde que corrijam suas deficiências internas. USA continuará na liderança do mundo, pois muitos países dependem dele, pela tecnologia, poder de concentração, de pesquisa e democracia; é considerado, mesmo muitos não concordando como o mediador de negócios.

Autor: Claudio Raza, economista e professor universitário, c.raza@terra.com.br

Escreva um comentário