A crise européia é a ponta do iceberg para o Brasil

Os Estados Unidos passaram por essa cegueira não querendo enxergar a crise de liquidez dos bancos fazendo suas especulações em cima de papéis sem garantias, isto é; em cima de uma só hipoteca faziam-se quatro ou mais empréstimos, o conhecido mercado secundário “sub-prime”, bancos de segunda linha.

A Grécia está passando pelo mesmo processo de cegueira; a União Européia coloca na linha de frente os países pequenos para ajudar a pagar a dívida da incompetente e falta de planejamento ou visão de futuro.

Agora colocou a Hungria, conhecíamos este país como grande adversário do Brasil nas copas de futebol do passado, mas agora aparece como importante economia da Europa.

Logo mais serão: Portugal, Espanha, Itália, Irlanda, e por fim as grandes e comprometidas vilãs da União Européia, França e Alemanha. Todas elas prometeram acertar suas contas, reduzindo investimentos, gastos públicos, ajustar aposentadorias, crescer menos ou até mesmo não crescer, para reduzir gastos públicos.

As conseqüências para economia brasileira virão automaticamente, pois a Europa representa ¼ (um quarto) da atividade econômica do mundo, com isso as exportações brasileiras sofrerão uma redução considerável; europeus deixarão de investir no Brasil devido às restrições impostas no seu país; transferências de lucros e dividendos das filiais de empresas européias no Brasil para suas matrizes em seus países de origem; resgates de investimentos já feitos na bolsa de valores ou em outros negócios e o desaquecimento da economia brasileira em função da restrição de crédito e estagnação da economia mundial.

Mas, o que as cabeças pensantes do governo federal brasileiro estão fazendo ou planejando para minimizar os impactos desta crise mundial que está apenas começando? Não deveríamos colocar em votação no Senado algumas reformas que estão engavetadas há anos? Como a Reforma Tributária, a Trabalhista, a Sindical, a Previdenciária, e a Política, estas reformas básicas já deveriam estar funcionando, mas só vemos banalidades no Congresso Nacional, espero que não sejamos os próximos a pagar a dívida da falta de planejamento.

Não vejo nenhuma movimentação, pois não interessa aos políticos mexer nesses assuntos e nem a presidente tem força suficiente, pois nossa política é um emaranhado de leis, restrições, partidos políticos, interesses próprios e de partidos, burocracia, papéis, carimbos, cópias, petições, votações, falta de quorum

Só vejo movimentação para próximas eleições, copa do mundo e outras preocupações tais como pão e circo para um povo despreparado e analfabeto.

Não estou sendo crítico e pessimista, mas realista; quando as águas baixarem e o iceberg aparecer, veremos o tamanho real da crise e das conseqüências e como vamos pagar essa falta de planejamento dos governantes e políticos brasileiros.

A presidente herdou uma situação muito difícil, pois toda decisão não tomada e jogada debaixo do tapete ou empurrada para frente como é padrão dos governos brasileiros terá que se decidir, não dá para ficar mais quatro anos escondendo a realidade e dando esmolas e favorecendo nossos vizinhos de fronteira com empréstimos que jamais receberemos, precisa-se colocar a mão na massa, não para adulterá-la, mas para criar empregos, com frentes de trabalhos, cortarem gastos públicos, reduzir a corrupção, investir principalmente em educação e saúde, pois nossa população está envelhecendo.

Deverá também o novo governo dar exemplo, de honestidade, de sabedoria para não se envolver com países que só quer a guerra, pois o presidente anterior, só viajava sem se preocupar com povo, diminuir o contrabando e o tráfico nas fronteiras que faz do nosso país um corredor para outros países.

Agora é só esperar para ver, mas cada um deverá tomar mais conhecimento do que acontece dentro e fora do país para não nos arrependermos mais tarde.

Autor: Cláudio Raza; Economista, Contador, professor Uninove. c.raza@terra.com.br

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*Postado Por: Claudio Raza

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