A Desindustrialização Nacional e o “Efeito Made In China”

As gôndolas de supermercados, as lojas de presentes, as ruas mais visitadas para compras em São Paulo, os vendedores ambulantes e informais dos bairros e dos centros das capitais, as viagens das sacoleiras aos países vizinhos, porta de entra dos produtos “importados,” revelam claramente o quanto os produtos nacionais estão sendo substituídos por importados, por que não dizer, contrabandeados.

Mesmo com as exportações legais crescendo, as importações legais e ilegais crescem em um ritmo muito mais rápido; as indústrias dos setores elétricos e eletrônicos já estão sentindo esse processo.

A indústria já apresentou uma participação de 36% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1985, com várias oscilações, ela caiu para algo em torno de 16% do PIB, em 2008; hoje representa apenas 15%.

Conforme estudos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostram que, os bens fabricados pela indústria de transformação, isto é; produção de bens, em 2010, alcançou um déficit comercial de US$ 22,4 bilhões, conforme artigo de Jorge J. Okubar, de 31/10/10 do Jornal Estadão.

Para exemplificar Paulo Kliass, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, e doutor em Economia pela Universidade de Paris, comenta em seu artigo “A polêmica atual sobre a desindustrialização”:

“Verifica-se uma acentuação da perda relativa de posição dos produtos manufaturados no total de exportações. Ou seja, há um crescimento do peso dos produtos primários, de baixo valor agregado. Por exemplo: entre os 25 anos de 1982 e 2007, a média havia sido de 58% de industrializados no total das exportações. Nos últimos 3 anos, essa participação baixou para 49%, 43% e 41%. Quando se analisam algumas informações do lado das importações, a situação também merece preocupação”.
“A participação dos bens manufaturados no total das importações brasileiras ficou na média de 12% ao longo dos últimos 20 anos – com exceção dos anos de câmbio valorizado sob FHC. Já em 2009 e 2010, houve um crescimento significativo dessa participação, saltando para 16% e 17%. Ou seja, algo como se a demanda interna em expansão estivesse sendo atendida por produtos industriais importados”.
“Em síntese: continuamos a exportar bens com baixo valor agregado e a importar cada vez mais produtos manufaturados de maior valor agregado para nosso consumo”.
“A velha estória de nos vangloriarmos de exportar soja, minério de ferro, suco de laranja e carne, ao passo que, importamos, produtos eletrônicos, computadores, celulares e outros bens de alto valor agregado.”

Mesmo com todas as evidências muitos estudiosos e economistas ortodoxos, “porque pensam de acordo com o Consenso de Washington, e, por isso, apóiam a política macroeconômica instaurada desde 1992.” palavras de Luiz Carlos Bresser-Pereira, Professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas, ainda questionam o assunto.

Temos também o setor de autopeças “o Brasil passou de exportador para importador..” palavras de Reginaldo Arcuri, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)

Caso queiram tirar suas dúvidas, vão a uma grande rede de distribuição e verifiquem alguns produtos, tais como, cafeteiras, sanduicheiras, torradeiras, ferros elétricos, liquidificadores, computadores, impressoras, telefones, malas, bolsas, vestuários em geral, tênis, guarda-chuvas, brinquedos, relógios, etc. etc., e verifiquem quantos são nacionais quantos são importados.

As principais causas são;
1º.) Carga excessiva de impostos nos produtos fabricados no Brasil, tais como: ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias) de 18% em São Paulo; IPI (Imposto de Produtos Industrializados) média de 10%; PIS (Programa de Integração Social) de 0,65% e 1,65%; COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) de 3% ou 7,6%; Imp. de Renda s/o Lucro, em média, dependendo do regime tributário da empresa, de 10% a 15%; INSS das empresas sobre a folha de pagamento dos empregados de 27,8%; FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) de 8% sobre a folha de pagamento dos empregados; toda essa carga tributária encarece o produto em 50% aproximadamente, isto todo produto consumido ou exportado tem 50% de impostos, isto cria dificuldade, pois os países não querem importar impostos e sim produtos.

2º.) Legislação Trabalhista que está dificultando contratações e demissões, tais como, contratação de aprendiz, multa de 40% do FGTS, legislação de gestantes, interferência dos sindicatos, e outras mais

3º) Taxa de dólar baixo facilita as importações e prejudica as exportações.

4º.) Altos custos de produção, tais como, preço da matéria prima nacional, devido às incidências mencionadas acima, incidências de horas extras e adicional noturno com altos acréscimos, custo dos transportes rodoviários e dos pedágios, pois o transporte ferroviário que é mais barato não teve investimento por interesses das fábricas de caminhões e falta de planejamento dos governantes.

Autor: Cláudio Raza;consultor, professor Uninove; c.raza@terra.com.br

Tags: ,

*Postado Por: Claudio Raza

9 Responses to “A Desindustrialização Nacional e o “Efeito Made In China””

  1. I like this website very much, Its a real nice spot to read and get info .

    janeiro 11, 2012 at 7:39 pm Responder
  2. Nicely designed submit, nicely investigated as well as ideal for individually later on.

    fevereiro 18, 2012 at 6:11 am Responder
  3. I’d enjoy to meet the person who did the Spartan logo. Like, wow…

    julho 27, 2012 at 4:22 am Responder
  4. Great JOB!
    your submit was extremely helpful, many thanks

    julho 29, 2012 at 1:04 am Responder
  5. I merely want to say I am novice to website and actually liked you are blog. Likely I’m about to bookmark your website post.. You certainly have tremendous articles. Thanks a great deal for exposing your web-site.

    agosto 2, 2012 at 2:40 am Responder
  6. I found you’re website via Yahoo and I have to state. A Gigantic Thank you very much, I thought your post was very interesting I will come back to see what more good information I can receive here.

    agosto 2, 2012 at 3:41 am Responder
  7. I’m not sure where you are getting your info, but great topic. I needs to spend some time learning more or understanding more. Thanks for excellent info I was looking for this information for my mission.

    agosto 2, 2012 at 4:28 am Responder
  8. Excellent Post, Appreciate your Discussing

    agosto 7, 2012 at 12:12 am Responder
  9. I would like to thnkx for the efforts you’ve put in writing this blog. I am hoping the same high-grade web site post from you in the upcoming as well. In fact your creative writing skills has encouraged me to get my own web site now. Actually the blogging is spreading its wings rapidly. Your write up is a good example of it.

    setembro 5, 2012 at 12:48 pm Responder

Comentários, Dúvidas e Sugestões