A NECRÓPSIA DE UM PAÍS POLITICAMENTE MORTO – Claudio Raza

Necropsia é uma série de procedimentos e observações, organizada e hierarquizada, realizada ao cadáver com o objetivo de determinar o que provocou a sua morte. A origem da palavra “necropsia” vem dos termos gregos nekros = cadáver e opsis = vista.

A frágil história esquecida e manipulada de nossa “democracia” desde a proclamação da república, em 1889, mostra que somos uma republiqueta, promíscua e corrupta.

Parece que estamos adormecidos por alguma substância espalhada no ar. E enquanto estamos entorpecidos, nossa nação brasileira está novamente sendo dilapidada e sendo obrigada a voltar muitos passos atrás para se recuperar novamente do prejuízo.

E mais uma vez estamos testemunhando o desmonte de um governo.

Getúlio Vargas foi derrubado de seu segundo governo em 1955, quando havia sido eleito democraticamente por ampla parcela da população, notadamente a mais pobre. Getúlio criou a maioria das leis de proteção ao trabalhador brasileiro e às populações mais vulneráveis ao capitalismo selvagem.

Poucos anos após ao suicídio de Vargas foi a vez do mineiro Juscelino Kubitschek, aquele que fez “50 anos em 5″ ao decidir-se pela “interiorização do desenvolvimento” com a construção de Brasília, imprimindo um grande impulso desenvolvimentista ao país e abrindo as relações do Brasil. Juscelino teve seus direitos políticos cassados.

Jânio Quadros, sucedeu JK sendo eleito democraticamente pelo voto direto e tentou colocar ordem, mas, surpreendentemente renunciou ao mandato, justificando sua atitude às “forças ocultas” que haviam no governo.

João Goulart, vice-presidente do renunciante Jânio Quadro, assumiu o cargo, como determinava nossa constituição. João Goulart aproximou-se “demasiadamente” de países “proibidos” da cortina de ferro como a China e a Rússia. Começava ali aquilo que foi chamado “Anos de Chumbo” de nossa história. Não demorou muito para que um golpe militar orquestrado e apoiado militarmente pelos Estados Unidos da América depusesse Jango e jogasse o país nas trevas de uma quase guerra civil onde todos os direitos civis foram cassados, o Congresso Nacional fechado, a imprensa controlada (só funcionava aquela que louvasse o novo governo; novamente o país se viu tomado pela recessão, pela dura repressão aos direito civis, pela corrupção e pelos desvios de nossas riquezas em direção ao centro do Império, até que após longos anos de luta fratricida, o governo militar foi moralmente vencido e com os movimentos de “Diretas Já” uma tênue nova ordem democrática foi instalada no país.

Já em 1985, nos “Anos de Chumbo” dos governos militares, Tancredo Neves, um dos líderes civis contra revolucionários que ajudou a derrubar a longa ditadura militar foi “escolhido pelo voto indireto” para ser o novo presidente brasileiro, em consenso por todos os vetores políticos da República, inclusive os próprios militares, mas, de uma forma inusitada adoeceu às vésperas de sua posse e faleceu poucos dias depois “sem tomar posse como presidente da nação”, deixando o cargo vago para o seu vice, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, também conhecido como, ou José Sarney

Apesar de todos os tropeços e da economia o governo de Sarney decorreu sem muitas turbulências, apesar do caos em que se encontrava o país; o governo Sarney colocou em postos chaves da Justiça, do Congresso, e dos outros vários setores da economia, da comunicação social, e até mesmo do clero nacional várias “figuras” apoiadas pelos militares que deixavam o poder.

Fernando Collor de Mello, sucedeu Sarney com a promessa de limpar a República dos ratos que a infestavam o país, ousou e inovou desde o primeiro dia de governo quando sob grande surpresa e rígido segredo congelou toda a economia nacional. Ninguém podia movimentar mais de NCZ$ 50 “Cinquenta Novos Cruzados” de suas próprias contas bancárias. Promoveu uma devassa nos órgãos públicos e “exigiu” que as montadoras de automóveis aqui instaladas substituíssem as “carroças” aqui produzidas por automóveis similares aos produzidos no primeiro mundo.

Imprimiu um novo ritmo ao desenvolvimento do país junto de uma verdadeira caça às bruxas aos marajás-corruptos ao mesmo tempo em que, instituía um poder paralelo de corrupção capitaneado por seu testa-de-ferro, “PC Farias”, (assassinado a tiros poucos anos depois); foi retirado do poder pela luta liderada pelos caras-pintadas no processo de impeachment de Collor.

Collor foi substituído pelo seu Vice, Itamar Franco, que, sumido da história, foi o verdadeiro redentor e saneador deste país na era pós ditadura militar, mas, para todos os que tem memória viva, foi no governo Itamar que foi desenhado e implementado o “Plano Real”.

Fernando Henrique Cardo, o FHC tornou-se o candidato a presidente nas próximas eleições, que concorreria com o “candidato-operário” Lula, que lutava pela segunda vez para chegar ao poder com seu Partido dos Trabalhadores.
Seguiram-se então os dois termos do governo Fernando Henrique Cardoso. Cumpriu seu termo até o fim sem tanta turbulência e em total sintonia com as diretrizes neoliberais que o capitalismo internacional e que favoreciam o capital especulativo internacional, chamado de “investidores internacionais”.

Lula foi eleito pela primeira vez em 2003. Ninguém mexeu um dedo para erradicar a corrupção, que para eles era no mínimo o melhor benefício que podiam ter, eles se arvoram sobre nós e consomem nossas economias e nosso patrimônio usurpado ilegalmente, nos empurrando para o canto para que fiquemos eternamente nesse estado letárgico.

A Petrobrás foi vítima e como estamos vendo na sequência, é muito mais abrangente do que todos pudessem imaginar; começou a desvendar um lamaçal enorme, de proporções internacionais onde não apenas o Triplex no Guarujá e o Sítio em Atibaia atribuídos a Lula vem à tona.

Infelizmente nós brasileiros não dirigimos nosso destino. Nosso destino é dirigido por uma classe política gananciosa e corrupta, que pretendem apenas explorar a riqueza desta grande nação, e para isso precisam nos deixar anestesiados, sem conhecimento da verdade de nossa história e de nosso presente.

Querem que o torpor domine nossa sociedade para que não possamos interferir nos destinos de nossa nação, e que eles o façam em nosso nome.

Se comprovadas as delações de Joesley Batista, dono da JBS, tornadas públicas nesta sexta-feira, maior exportadora de carne o mundo e maior doadora de campanhas em 2014. Além de dinamitar o presidente Michel Temer e o senador, Aécio Neves, o empresário também menciona ilícitos cometidos durante os Governos petistas que ajudaram a forjar o império do ramo dos frigoríficos.

Aos procuradores da Operação Lava Jato, Batista jogou luz em uma série de contratos e operações financeiras realizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que beneficiaram diretamente as suas companhias. Como contrapartida pelos empréstimos e investimentos feitos pela instituição, o delator disse que abastecia contas correntes no exterior que, de acordo com ele, eram utilizadas por presidentes, partidos e políticos, que foram usados para financiar campanhas políticas.

Isto é apenas uma pequena parte do que ainda não foi revelado, pois na necropsia que está sendo feito, para determinar o que provocou a morte da classe política, ainda chegará a outros órgãos, como: quem autorizou, quem se beneficiou e para onde foi o dinheiro e as propinas, se houver, dos empréstimos a juros a baixo do mercado, para os países africanos e sul americano, como também a construção do porto de Mariel em Cuba, todos financiados pelo BNDES.

Ainda não sabemos, só a necropsia revelará, sobre os empréstimos da Caixa Econômica Federal, da utilização do FGTS, a situação das outras estatais principalmente as de energia.

Como vemos parece-nos que o controle do imposto de renda só existe para os trabalhadores contribuintes, que são rigorosamente fiscalizados e qualquer errinho, caímos na malha fina, mas para as empresas contribuintes das campanhas eleitorais, vale tudo, não são fiscalizadas, não recolhem impostos, usam caixa 2, compram e pagam sem notas fiscais ou outros comprovantes.

A classe política brasileira já está morta, esperamos que a justiça brasileira não entre no necrotério também.

Autor: Claudio Raza; Economista e mestre multidisciplinar em Administração, Comunicação e Educação.
Fonte; Artigo “Brasil, infelizmente ainda um país de muitos cegos e insensatos” de Luiz Carlos Romoli de Oliveira – publicitário e jornalista

*Postado Por: Claudio Raza

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