O Analfabeto funcional no Brasil chega á 70% da população economicamente ativa e nunca foi prioridade de governantes.

Analfabeto funcional é a pessoa que não desenvolve a habilidade de interpretação de textos e de fazer as operações matemáticas. Também é definido como analfabeto funcional o individuo maior de quinze anos e que possui escolaridade inferior a quatro anos, embora essa definição não seja muito precisa, já que existem analfabetos funcionais com nível superior de escolaridade.
Conceito criado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1978 para referir-se a pessoas que, mesmo sabendo ler e escrever algo simples, não tem as habilidades necessárias para viabilizar o seu desenvolvimento pessoal e profissional.
As pesquisas no Brasil são realizadas pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com o IBOPE e a ONG Ação Educativa, que divulgam anualmente o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF). Hoje a taxa de analfabetos funcionais no Brasil é de 70% da população economicamente ativa acima de 15 anos de idade.
Mas, também existem várias interpretações do que é um analfabeto funcional.
Classifico analfabetismo funcional de 15 a 64 anos, ou seja, os que tem menos de quatro anos de estudo. em quatro tipos:
1, Analfabeto Pleno, totalmente analfabeto, ou incapacidade absoluta de ler e escrever, não frequentaram escolas, e nem sequer assinam ou desenham seu nome. ( 7% conforme IBGE)

2, Analfabeto Semi Pleno, aqueles que frequentaram escolas, ongs, igrejas de “alfabetização” de adultos, escrevem e leem com extrema dificuldade e simplesmente desenham seu nome como assinatura. (23%)
3, Analfabeto Rudimentar, aqueles que apenas conseguem ler e compreender títulos de textos e frases curtas, mas têm dificuldades com a compreensão e em fazer as operações aritméticas básicas. ( 25%)
4, Analfabeto Básico, aqueles que conseguem ler textos curtos, mas só conseguem extrair informações esparsas no texto e não conseguem tirar uma conclusão a respeito do mesmo; conseguem realizar as operações aritméticas básicas, entretanto sentem dificuldades quando é exigida uma maior quantidade de cálculos, ou em operações matemáticas mais complexas. (15%)
Como referencial, mas com restrições, pois cada país tem um método de medição. No Brasil, o índice de analfabetismo funcional é medido entre as pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal. O conceito, porém, varia de acordo com o país. Na Polônia e no Canadá, por exemplo, é considerado analfabeto funcional a pessoa que possui menos de 8 (oito) anos de escolaridade. Na Alemanha, a taxa de analfabetos funcionais é de 14%. Nos EUA, 21%. Na Inglaterra, 22% (para melhorar esta taxa, o governo britânico introduziu a “Hora da Leitura” no ensino fundamental). Na Suécia, a taxa é de 7%.
“Nenhum país consegue crescer 5% ou 6% ao ano por muito tempo com uma população tão mal preparada.” Antonio Ermírio de Morais – empresário
O Brasil optou pela quantidade a qualquer custo, e o resultado disso é a enorme quantidade de analfabetos funcionais com diploma. O nosso país deveria se esforçar em alfabetizar com qualidade.

Para se encaixar em um nível que permita um domínio básico do alfabetismo se deveria ter cursado sete ou mais séries de educação básica, e para se conseguir um bom nível de conhecimento em todas as matérias, o que corresponde a uma alta inserção no trabalho na maioria dos países, as pessoas deveriam ter cursado 11, 12 ou mais anos.

Muitos aspectos sociais e trabalhistas, como: auto-estima, autonomia, capacidade comunicativa estão diretamente relacionados com os ganhos da leitura, escrita e matemática.

Nota-se uma menor capacidade comunicativa verbal entre os analfabetos especialmente no que se refere á capacidade de argumentação
O prejuízo econômico e financeiro para um país que apresenta altos índices de analfabetismo funcional e consequente deficiência de habilidade dos empregados cresce o número de erros e acidentes no local de trabalho e ou danos ao equipamento.
Conforme artigo “Analfabetos Funcionais Escolarizados” de Raquelli Natale, Publicitária: “é urgente uma revisão dos métodos de ensino que repare as distorções pertinentes à educação atual visando à qualidade e a continuidade, e isso requer uma análise estrutural de todos os lugares deste país, pois cada realidade exige um olhar diferente que busque a qualidade e não a quantidade a qualquer custo.
Como diria Jean Piaget. “a principal meta da educação é criar homens que sejam criadores, inventores e descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de verificar e não aceitar tudo que a eles se propõe”.
“De fato, creio que isto resuma todos os parâmetros que precisam ser adotados para um sistema educacional de qualidade”.
A destinação de mais verbas para a educação de no mínimo 10% do PIB e não 4% como é agora, um plano nacional de reeducação e ensino, como também requalificação e valorização dos professores, poderemos baixar este índice de analfabetos funcionais.
Fontes disponíveis em:
http://www.geracaobooks.com.br/quem_somos/, acessado em 07/03/2011
http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=700, acessado em 07/03/2011
http://www.brasilleitor.org.br/www/analfabetismo_funcional_sintese.aspx, acessado em 07/03/2011

Autor: Claudio Raza; professor universitário, consultor, palestrante, c.raza@terra.com.br

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