O DESPERDÍCIO NO BRASIL conscientização, treinamento ou é cultura mesmo

Quando falamos em desperdício, perda, esbanjamento, manipulação, acondicionamento e uso inadequado, temos que, analisar muitas outras atitudes, pois essa cultura de desperdício no nosso país é considerada uma das maiores do mundo. Não quero ser crítico destrutivo, mas levantar aspectos da questão que provavelmente estamos deixando de lado por fazer parte de nosso dia a dia.

A cultura do desperdício se incorporou à vida do brasileiro e nada de concreto é feito para reverter os números absurdos do que se perde e o que fez do País o campeão mundial de desperdício.

Um estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Centro de Agroindústria de Alimentos mostra que o brasileiro joga fora mais alimentos do que come.

Toneladas de soja, milho e outros grãos ficam espalhados nos acostamentos das rodovias que cortam as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, as principais produtoras e exportadoras da produção nacional.

Não há dados oficiais para mensurar o quanto se perde a cada safra, porém, estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam para alguma coisa entre 10% e 15% durante toda a cadeia produtiva: entre a colheita e o momento da exportação, incluindo o processo de armazenagem e o transporte.

Considerando que, mais uma vez, a safra de grãos no Brasil deve atingir recordes históricos neste ano, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, a colheita na safra de grãos (2019/2020) deverá chegar a 251,9 milhões de toneladas, o que representa um ganho de 9,9 milhões de toneladas em comparação à safra passada (2018/2019).

Segundo o IBGE, a estimativa é de que 67% das cargas brasileiras sejam deslocadas pelo modal rodoviário, o menos vantajoso para longas distâncias.

Do total de desperdício no país, 10% ocorrem durante a colheita; 50% no manuseio e transporte dos alimentos; 30% nas centrais de abastecimento; e os últimos 10% ficam diluídos entre supermercados e consumidores.

Dos principais grãos, tais como: soja, trigo, milho, arroz, e feijão e seus derivados, perde-se no plantio, na colheita, no armazenamento no campo, no transporte rodoviário para silos e cooperativas, no comercio e na industrialização destes mesmos grãos, cerca de, 15% em média, conforme estudo do IBGE, tudo por causa da desinformação, treinamento, conscientização, estradas sem conservação, carretas e “containeres” inadequados.

As falhas na logística e comercialização dos grãos provocam prejuízo de quase o dobro do registrado na pré-colheita, ou seja, no período em que o clima adverso ou o surgimento de pragas podem levar a uma quebra de safra.

No caso das frutas, legumes e verduras, da produção ao consumo desses alimentos, também não é diferente; a perda em média é de 20%, são desperdiçados no caminho entre a lavoura e o consumidor final, ou seja, de cada 10 frutas transportadas, duas não podem ser consumidas; exemplo das bananas e mangas que são jogadas de um lado para outro sem o menor cuidado e prensadas em caixas de madeiras para transporte, nos centros de distribuição e abastecimento como no nosso caso o CEASA, os grandes supermercados, ocorrem mais manipulações e perdas e depois nas feiras livres mais seis dias de monta e desmonta com mais perdas.

No exemplo dos legumes e verduras também é só chegar aos centros de distribuição e nas feiras livres para verificar as perdas; sem contar com as perdas nas cozinhas e geladeiras das donas de casa que não tem informações de como preservar e aproveitar as verduras e legumes que se estragam.

Poucos produtos são armazenados em ambientes climatizados para a comercialização por um longo tempo. A grande exceção é a maçã disponível durante o ano todo.

Estimativa do que se desperdiça:

Frutas e Frutos: Banana: 40%, Morango: 40%, Melancia: 30%, Abacate: 26%, Manga: 25%, Laranja: 22% Mamão: 21% Abacaxi: 20%. 

Hortaliças: Couve-flor: 50%, Alface: 45%, Repolho: 35%

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, nas dez maiores capitais do País, os cidadãos consomem em média 35 quilos de alimento por ano, ou seja, dois quilos a menos do que o total que é jogado no lixo. A média de desperdícios no Brasil está entre 30% e 40%. Nos Estados Unidos, esse índice não chega a 10%. Estima-se que em restaurantes, o índice de desperdício chega a 15% e nas casas, a 20%.

Água e a energia elétrica somam perdas que colocam em risco o abastecimento no futuro. Assim, 20% de toda energia elétrica produzida no Brasil são desperdiçados. De 25% a 40% de água também são perdidos em vazamentos das tubulações e o mau uso por parte do consumidor.

Na construção civil, as empresas que não utilizam ainda de tecnologias avançadas, a perda é em média de 30% com areia, cimento, tijolos, azulejos, madeiras, pregos e outros materiais.

Conforme cálculos do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, os brasileiros, pela inexistência da venda de remédios fracionados no país, jogam fora mais ou menos 20% de todos os medicamentos que compram. O médico prescreve um medicamento para que você tome três comprimidos ao dia, durante cinco dias. Serão quinze comprimidos que você irá tomar; vai à farmácia e descobre que a caixa do medicamento prescrito vem com dez comprimidos, então você precisa comprar duas caixas. E jogar fora cinco comprimidos, ou 25% do total.

A reciclagem de lixo no país é inferior a 5%. O desperdício, no Brasil é considerado um dos maiores do mundo. Nas nações desenvolvidas a reciclagem dos materiais supera a brasileira; 40% nos EUA e na Europa, conforme UBQ (União Brasileira para a Qualidade).

Há o desperdício nas organizações, matéria-prima que pode ser perfeitamente utilizada na confecção de produtos alternativos é vendida como sucata, desperdício de material de expediente gasto sem nenhum cuidado.

Todos sabem da importância de reduzir o desperdício de papel e ter alguma responsabilidade com o meio ambiente, mas o custo com papel em relação a outras despesas não chega a 4% do montante.

O setor de uma empresa que possui maior desperdício de papel é o Financeiro/Contábil, devido à obrigatoriedade de guardar comprovantes, relatórios e balancetes em média por cinco anos. Há também outro fator agravante, que são as empresas de auditorias, devido às suas normas internas ou política estabelecida, precisam ter documentos impressos da empresa auditada para avaliação; com isso, os papéis depois da avaliação são jogados fora por ambas as partes.

Tempo e dinheiro ainda são gastos mesmo após desobrigação com as exigências de reconhecimento de firmas e cópias autenticadas de documentos, dificultando a vida dos brasileiros, mas os poderosos donos dos cartórios com ajuda de políticos dificultam a não exigência, pois é um ganho fácil de custo baixo.

O desperdício do dinheiro público, pelos políticos e governantes com obras faraônicas, pontes e viadutos inacabados que levam nada a coisa nenhuma, hospitais inacabados ou prontos sem equipamentos e contratação de pessoal qualificado, maquinas, equipamentos, trens fora de bitola, materiais obsoletos e enferrujados parados que nunca serão utilizados, contratação de serviços com altos custos, merendas contratas a peso de ouro e dadas ás crianças a peso de migalhas, corrupção, propinas, altos salários, nepotismo, uso indevido da máquina pública, tudo com nossa autorização, na urna de votação.

As aposentadorias especiais e de altíssimos valores, fora da realidade brasileira para governadores e políticos, como também para militares, servidores públicos e seus familiares.

Para revertermos esse quadro será necessário um mega programa de orientação, treinamento e divulgação, começando com as crianças dos primeiros anos escolares até os mais idosos; tendo em vista o tempo e a importância econômica deste projeto, os primeiros resultados viriam dentro dos próximos vinte anos, se começarmos agora.

Fontes:

https://www.abras.com.br/clipping.php?area=1&clipping=71062

Autor: Claudio Raza; economista – www.claudioraza.com.br  – c.raza@terra.com.br

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