O FORO PRIVILEGIADO DAS CENTRAIS SINDICAIS E DOS GUERRILHEIROS URBANOS – Claudio Raza

A Lei 11.648, de 31 de março de 2008, introduziu em nossa estrutura sindical a figura das Centrais Sindicais, que anteriormente só existiam no plano institucional através de algumas entidades conhecidas pela sociedade, tais como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical e outras de menor expressão.

Hoje temos 13 centrais sindicais com 16.500 sindicatos de trabalhadores e uma estrutura duplicada de federações confederações; que arrecada por volta de R$ 3,6 bilhões de imposto sindical; isso é típico de governos populistas e povo sem instrução. A Argentina tem apenas 91 sindicatos, a Inglaterra 168, e os Estados Unidos 130.

Os protestos contra as reformas ganharam tons de confrontos, vandalismo, depredações e impedimentos dos que queriam trabalhar; não faltaram os guerrilheiros urbanos “Black Blocs” e outros aproveitadores baderneiros, para quebrar agências bancárias e especialmente concessionárias de veículos.

Grupos pequenos apareciam de repente e faziam uma barricada, ateando fogo a pneus e madeiras. Quando a polícia se aproxima, em vez de resistência, a retirada rápida. Não muito longe, em outro ponto, novo bloqueio, levando à dispersão e divisão das forças da ordem, uma verdadeira “greve de guerrilha”. É assim que o comando da polícia de São Paulo viu a tática adotada pelos movimentos populares e sindicatos a fim de bloquear avenidas e impedir o tráfego no Estado na greve geral.

Para o comando da PM, “doutrinariamente”, a tática desta sexta “é de guerrilha urbana”, com a “inquietação, intervenção e dispersão”. Os bloqueios feitos por manifestantes envolveram sem-teto que vivem em prédios tomados no centro. Cada grupo organizou uma ação.

A greve contou ainda com a estratégia inédita neste tipo de manifestação: a parceria entre sindicatos e movimentos sociais. Enquanto sindicatos mobilizaram trabalhadores para fazer piquetes em portas de fábrica e demais locais de trabalho, movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e a Central de Movimentos Populares (CMP) travaram vias importantes das cidades dificultando a chegada das pessoas aos locais de trabalho.

Mas o foro privilegiado destas centrais e dos baderneiros continua, nada acontece a ninguém, somente algumas multas que serão defendidas por advogados e os que foram presos serão soltos imediatamente e prontos para cometerem as mesmas atrocidades contra trabalhadores, empresários, bancos, etc.

Isso mostra que nossas leis são frágeis, nossas instituições não têm poder, e, é uma certeza de impunidade.

Mas, o mercado de trabalho brasileiro continua a mostrar os efeitos da mais grave crise econômica, gerados também, por uma crise política de anos de corrupção desenfreada agravada nos últimos treze anos.

Quando achamos que temos um governo central, aparecem os governos paralelos com maior força, tais como, o crime organizado, as forças políticas, os partidos políticos, as centrais sindicais, os guerrilheiros urbanos, os guerrilheiros rurais, os coronéis latifundiários, os exploradores estrangeiros da Amazônia, os sonegadores de impostos e os impostos exorbitantes.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Autor Claudio Raza – Economista e mestre em comunicação
Fontes: O Estado de São Paulo – edição de 29/04/2017 – Opinião de Suely Caldas – Marcelo Godoy, Ricardo Galhardo e Fernando de Holanda Barbosa Filho.

*Postado Por: Claudio Raza

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