O MÉXICO TAMBÉM PODERÁ SER CENTRO INDUSTRIAL DO MUNDO COMO A CHINA.

Conceitos básicos de mercado foram desprezados pelos dirigentes mundiais, tais como nunca tenha um só fornecedor ou tampouco tenha um só consumidor; pois seu negócio estará em perigo; é o que está acontecendo com a China, único fornecedor e fabricante de produtos para o mundo.

 O Japão propôs construir uma economia menos dependente de um país, a China, para que possa evitar as interrupções da cadeia de suprimentos e mais economias do mundo estão prontas para seguir o exemplo japonês. Reino Unido, UE e Estados Unidos podem seguir o exemplo.

Dos produtos que dependem fortemente de um único país para fabricação, “devemos tentar realocar itens de alto valor agregado para o Japão”, disse o líder japonês, “E para todo o resto, devemos diversificar para países como os da ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático]”. As observações de Abe foram claras. Elas ocorreram quando as interrupções atingiram a compra de autopeças e outros produtos dos quais o Japão depende da China, impactando seriamente as atividades corporativas do Japão e destinou mais de 240 bilhões de ienes (cerca de US $ 2,2 bilhões) em seu plano de orçamento suplementar para o ano fiscal de 2020 para ajudar as empresas domésticas a mudar a produção de volta para casa ou a diversificar suas bases de produção no sudeste da Ásia.

Nos EUA, também há discussões sobre a dependência da China; Larry Kudlow, presidente do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, expressou sua intenção de considerar os custos de realocação de empresas americanas que voltam da China para casa. A sugestão de Kudlow se encaixa na agenda “America first” (Estados Unidos em primeiro lugar) do presidente Donald Trump.

Se os EUA e o Japão, a maior e a terceira maior economia do mundo, respectivamente, se afastarem da China, isso terá um enorme impacto na segunda maior economia do mundo, a própria China.

Pela primeira vez em quase 20 anos, o México é encarado como um sério concorrente à China, maior exportador mundial de manufaturas. Segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) de novembro passado, cerca de 40% do crescimento dos produtos manufaturados mexicanos se deve à perda de terreno pela China. Hoje, o México responde por mais de 14% das importações dos Estados Unidos,

“Não é que a China vá, de uma hora para outra, ser substituída pelo México como fonte de importação. Mas o México é hoje um legítimo concorrente para a China e é mais atraente para a produção de uma série de itens. Pela proximidade, pela facilidade de comunicação, pelo respeito à propriedade intelectual e pela mão de obra cada vez mais qualificada”, diz o professor de economia da Universidade de San Diego James Gerber, especialista em relações EUA-México.

A inflação reajustou os custos de mão de obra na China, que quase triplicaram na última década. Hoje, um operário chinês custa em média 6 dólares a hora, quase os 6,4 dólares necessários para se manter um no México. Ao mesmo tempo, a oferta de trabalhadores mexicanos está ficando cada vez mais qualificada.

Profissionais bem qualificados têm feito do México um ambiente atrativo para empresas de tecnologia. Recentemente, o país se tornou, por exemplo, o terceiro maior produtor de computadores e telefones celulares do mundo. E, em 2009, deixou China e Coreia do Sul para trás para se transformar no maior fabricante de TVs de tela plana.

Executivos sempre questionaram as burocracias e os riscos à propriedade intelectual na China, mas acabavam colocando isso em segundo plano diante dos baixos custos dos salários e do transporte no país – recurso fundamental para reduzir os gastos e sobreviver à concorrência.

Hoje, entre as principais vantagens de se fabricar no México, sobretudo para empresas americanas, está a distância. Carregamentos da China para os EUA costumam durar entre 20 dias e dois meses. Do México, podem demorar até uma semana, mas em geral não duram mais que dois dias.

Ao fabricar no México, empresas podem também fazer mudanças na linha de produção de forma mais dinâmica. E não precisam realizar grandes encomendas para fazer uma compra valer a pena. Como fatores secundários, entram a desvalorização do peso em relação ao yuan e a noção de que o Estado de Direito no México é mais sólido do que na China.

Para se consolidar como uma ameaça real à China, a segunda maior economia da América Latina, que exporta mais produtos manufaturados que todos os países latino-americanos juntos, ainda tem desafios. Diversificar ainda mais seus parceiros, para além dos EUA, é um deles, apesar de já contar com uma rede de 12 Tratados de Livre Comércio, com 44 países – quatro vezes mais que o Brasil, por exemplo.

Se o México poderá um dia ser a nova China, como especula-se, não há como prever. Mas é improvável que o país asiático deixe de ser, pelo menos a médio prazo, a primeira opção mundial para a produção de manufaturas. Mas os mexicanos, afirmam especialistas, parecem cada vez mais preparados para agarrar sua fatia de mercado e não soltar mais.  No México foram realizadas sucessivas reformas com vistas a aumentar a eficiência, a harmonia com os padrões internacionais, a simplicidade e a equidade. A carga tributária mexicana é a menor do grupo de países aqui analisados. Exatamente o inverso do caso brasileiro, que priorizou o aumento de receitas e deixou de lado os outros critérios.

Fontes: Thais Garcia/Conexão Política e Rafael Plaisant Roldão/Revisão:Alexandre Schossler

Autor Claudio Raza – economista – www.claudioraza.com.br e c.raza@terra.com.br

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