O mundo cai de joelhos perante a Crise

           Com a crise dos Estados Unidos, de Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha e outros que logo teremos notícias tais como Italia, França e em conseqüência o descrédito do euro ficou muito mais difícil fazer previsões, ou empreender com relativa segurança, ou até mesmo investir sem riscos.

            Também os boatos de especialistas, não especialistas e especuladores, fazem com que as bolsas oscilem sem uma razão lógica, e automaticamente o dólar é o efeito contrário das bolsas, quando um cai o outro sobe.

            Antes de fazer qualquer prognóstico econômico mundial temos também que levar em consideração que a China é um grande parceiro econômico dos Estados Unidos e os interesses mútuos maiores ainda; mesmo que haja uma queda no consumo interno hoje os americanos consomem 70% do PIB interno do país, e 21% do PIB mundial, mesmo que a previsão é de queda do consumo os americanos ainda são os que mais consomem; isso pela confiança e pela relativa solidez da economia americana.

            Para fins de esclarecimentos, o PIB é a soma anual de todas as atividades produtivas (bens e serviços) realizadas dentro do país. Ele representa o desempenho econômico de uma nação, independentemente da nacionalidade das empresas e das remessas de lucros feitas por elas ao exterior. Só não são contabilizadas no PIB as rendas obtidas em atividades externas por empresas que atuam fora das fronteiras nacionais e as rendas e salários de pessoas que trabalham no exterior.

            A crise dos Estados Unidos está circunscrita a bancos de segunda linha, que abusaram do crédito fácil, concedidos aos mutuários da casa própria norte americanos, e não houve a preocupação de uma alta inadimplência, mas o povo americano irá pagar a conta, como também as verbas para guerras, reconstrução dos efeitos das guerras, e os gastos de segurança contra o terrorismo.

            Os Estados Unidos estão em busca de sua autonomia energética; se não tomarmos medidas sérias com nosso etanol, biodiesel e outros recursos e tecnologias que temos, em pouco tempo não conseguiremos exportar nossos produtos alternativos energéticos e teremos barreiras maiores do que temos hoje. 

            A economia mundial está passando por mutações; em 20 ou 30 anos alguns países irão tomar a dianteira em alguns segmentos, enquanto que outros perderão sua importância. Mas, não podemos nos iludir com afirmações emotivas de que os Estados Unidos estão prestes a perder a importância e domínio econômico mundial. A China que é a economia que está despontando no mundo econômico, só chegou a esse ponto com a ajuda e acordos econômicos e industriais com os Estados Unidos.

            Quando a China se desentendeu com a Rússia e cortaram os acordos, os EUA foram oferecer ajuda e desenvolvimento tecnológico a custos irrisórios, da mesma forma que ofereceu ao Japão no pós-guerra.

            A China já é uma grande potência econômica, mas os EUA manterão este domínio no mínimo até 2050, quando provavelmente outras crises surgirão.

            A China e a Índia juntas representam numericamente uma importância mais representativa para o comércio mundial do que Estados Unidos e Europa. O PIB americano representa 20% do PIB mundial, o da China 16% e o da Índia 6%, e o do Brasil de 2 a 3%.

            Os principais países da Europa possuem uma elevada dívida pública, um gasto previdenciário com uma população cada vez mais velha, empréstimos de outros países que superam em muito seu próprio PIB.

            A crise mundial agravou os problemas financeiros de países da UE (União Européia). Os governos, para diminuir os impactos da crise, ajudaram os setores mais críticos da economia com pacotes bilionários, que evitariam perdas de empregos e atenuariam os efeitos negativos das turbulências no setor financeiro. Com tantos pacotes de ajuda, a arrecadação destes governos diminuiu e eles ficaram mais endividados

            Para os países da zona do euro, reformas que cortem gastos públicos é uma necessidade, mas, a resistência dos grupos organizados que não desejam abrir mão dos privilégios, criam situações difíceis. Também a imigração descontrolada, a demografia desfavorável, a economia dependendo de empréstimos e ajuda externa agrava o futuro da Europa. Se nada for feito nos próximos anos, poderemos presenciar, nesse século ainda, o declínio da Europa.       

            A Grécia aplicou medidas de ajuste fiscal para receber ajuda financeira da União Européia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e tem enfrentado dificuldades para refinanciar suas dívidas e desperta preocupação entre investidores de todo o mundo sobre sua situação econômica; com a arrecadação em baixa e os gastos em alta, ela gasta mais do que arrecada e está tentando cortar seu déficit fiscal com dolorosas medidas de austeridade para convencer os mercados de que não dará calote na dívida.

            Todos os países da zona do euro e qualquer um que negocie com a zona do euro é afetado por causa do impacto da crise grega sobre a moeda comum européia. Teme-se que isso provoque um efeito dominó, derrubando outros membros da zona do euro cujas economias estão enfraquecidas, como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, pois todos enfrentam dificuldades para reequilibrar suas contas.

            Portugal tem um déficit fiscal de 9,3% do PIB, maior do que o esperado. Enfrentando pressão para reparar suas finanças, o governo português prometeu reduzir o déficit para 8,3% do PIB neste ano. A União Européia deu a Portugal até 2013 para reduzir o déficit para menos de 3% do PIB, o limite máximo aceito pelas regras do bloco. O governo português disse que o déficit maior do que o esperado no ano passado resultou de um declínio da arrecadação, o governo português, tentará reduzir os gastos por meio do congelamento de salários de empregados do setor público.

            A Itália, economia bem maior que Grécia e Portugal, mas que também enfrenta dívidas altas e crescimento econômico fraco, que deixa pouca margem para o governo sair da situação fiscal desfavorável. A preocupação dos analistas é de que a União Européia até poderia resgatar a Grécia e Portugal, mas não a Espanha e Itália, países bem maiores.

            A Espanha tem um endividamento privado, principalmente de mutuários de empréstimos habitacionais que se viram em apuros quando a bolha imobiliária do país estourou. Os grandes bancos espanhóis são sólidos, mas há instituições regionais de pequeno porte com foco em poupança e hipotecas e que tiveram um forte aumento da inadimplência, o mesmo que aconteceu nos Estados Unidos.

             A recessão no país é profunda: a taxa de desemprego chegou a 20%. Sua dívida pública, em proporção do PIB, é metade da grega (53,2%). Porém, por se tratar de uma economia muito maior, se não ajustar suas finanças o estrago será muito grande.

            A Irlanda também está com sua situação agravada devido a redução na construção que causou uma recessão económica, e tem agora o segundo mais alto nível de endividamento das famílias no mundo, atingindo os 190% do rendimento familiar. Terá que fazer cortes nos gastos públicos e aumento de impostos.

            A França admite fazer revisão do crescimento econômico de 2012, que pode ser inferior ao previsto, e o primeiro-ministro, François Fillon, admitiu possível corte do crescimento econômico no próximo ano e que serão adotadas novas medidas de ajuste se a França não chegar ao crescimento mínimo de 1,5% em 2012.

            No caso específico do Brasil, poderá ocorrer que empresas e bancos estrangeiros irão remeter grandes somas de lucros e dividendos acumulados em seus balanços para ajudar a matriz superar ou minimizar os efeitos da crise nos seus países; isso vai alterar o Balanço de Pagamentos das contas brasileiras, pois haverá grandes somas de dólares e euros saindo do país, a produção interna está começando a sofrer os efeitos da crise mundial, redução das compras internacionais, do aumento das importações, da redução das exportações, etc. Temos uma queda do Produto Interno Bruto (PIB), isto é, tudo que é produzido no país; a taxa de investimentos na economia caiu em um ano por volta de 2%, e na desindustrialização, nossas indústrias, estão se transferindo para outros países com carga tributária menor.     

            Os Estados Unidos e o Brasil produzem aproximadamente 70% do etanol do mundo; o custo médio do litro no Brasil é de US$ 0,22 nos EUA de US$ 0,30 e na União Européia R$ 0,55. Um hectare de cana no Brasil produz 6.000 litros de álcool, nos USA um hectare de milho, produz 3.500 litros.

            Para os exportadores brasileiros o cambio é insuficiente, pois só favorece as importações, aliado a alta carga tributária brasileira e ainda agravada pelas barreiras impostas pelos países importadores de nossos produtos, exemplo: calçados, etanol, açúcar, carnes, etc.

            O governo brasileiro poderia tomar iniciativas rápidas para injetar mais dinheiro na economia incentivando o consumo e o emprego, alterando ou simplificando alguns direitos trabalhistas, tais como;

            a-) As férias, e o 13º. Salário, poderiam ser divididos ao longo do ano, como é feito contabilmente, evitando picos de desencaixes de dinheiro pelas empresas no final do ano.

            b-) Reduzir o adicional sobre as horas extras e a porcentagem do adicional noturno.

            c-) Reduzir as contribuições ao INSS, seguros e sindicatos.

            d-) Liberação da Multa de 40% na demissão do FGTS, a realidade nas empresas já demonstra que o empregado pede demissão já faz um acordo com a empresa devolvendo esse valor por fora.

            e-) Para injetar mais dinheiro na economia e facilitar a vida dos desempregados ou não, liberar em até 50% dos depósitos totais acumulados, para saques do FGTS, para pagamentos de dívidas com cartões de créditos, dividas com carros, ou outro qualquer; pois também estes acordos são feitos nas empresas burlando a legislação.

            f-) Agilizar as ações trabalhistas junto à Justiça do Trabalho, para que o dinheiro chegue mais rápido aos desempregados.

            g-) Liberação de parcelas do PIS, para desempregados, ajudando-os na manutenção dos gastos.

            h-) Incentivos de impostos nas admissões de jovens sem experiência, não como hoje é feito, onde são admitidos como estagiários e ali permanecem por vários anos.

           As empresas brasileiras também poderiam tomar algumas medidas preventivas, tais como:

Primeira: Dólar baixo, real em alta, importar máquinas, equipamentos, novas tecnologias e modernizar sua empresa aguardando a virada ou a melhora do mercado internacional tornando sua empresa mais competitiva e de qualidade para atender os exigentes mercados europeus, americanos e asiáticos.

Segunda: Aqueles que já exportam ou querem começar, não abandonar o mercado externo já consolidado ou a consolidar, principalmente o mercado americano e europeu, pois caso desista sua credibilidade ficará abalada; aquele que irão começar a exportar inicie pelos países menos exigentes e em crescimento e sem muitas barreiras, exemplo a África ou a Índia, que servirão de experiência para outros mercados.

Terceira: Fazer um melhor controle de seus estoques, mantendo-os o mais baixo possível sem prejudicar suas vendas, isso lhe dará um folga financeira para seu fluxo de caixa.

Quarta: O mercado interno estará mais favorável para compras de oportunidades, isto é; aproveitar preços baixos devido às sobras de exportações não efetuadas.

Quinta: Manter um estreito controle de lucratividade por produto e usar estratégias de oferecer ao mercado interno os produtos mais lucrativos.

Sexta: Aproveitar para reciclar seus fornecedores com melhores preços, condições de pagamentos e melhor qualidade

Sétima: Enxugar o quadro funcional, aproveitando os talentos internos, dando-lhes oportunidades de lideranças e cargos de decisão, injetando sangue novo na sua gerência e diretoria, onde se concentram seus maiores gastos e às vezes sem muito retorno devido ao comodismo.

Oitava: Fazer uma análise dos clientes ativos e inativos para possíveis exclusões de alguns ativos e recuperação dos inativos investigando os motivos da inatividade.

Nona: Montar um Planejamento Estratégico, mesmo que pequeno e simples para programar todas as estratégias possíveis na melhoria do negócio.

Décima: Saia da zona de conforto analise o mercado, recolha informações, participe de palestras na sua entidade de classe, converse com outros empresários do mesmo ramo ou não, verifique o que estão fazendo para vencer a crise e recicle-se.

 Fontes: http://www.passeiweb.com/saiba_mais/atualidades/1273841190  http://economia.ig.com.br/criseeconomica     

 Autor: Cláudio Raza; Economista, consultor, professor Uninove. site: www.razaconsulting.com.br e E-mail: c.raza@terra.com.br

 

 

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