O PENSAMENTO “JECA TATU”, A REVOLUÇÃO 4.0 E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Jeca Tatu, sinônimo de atraso e de ausência de força vital e presença de espírito, Lobato descreveu o Jeca Tatu como o caipira abandonado à própria sorte, vítima da fome que lhe parecia natural e imutável, exceto se ocorresse um lance de muita sorte ou divina intervenção e prisioneiro de uma ignorância inamovível. Era um retrato do Brasil, ainda majoritariamente rural, que o escritor atacava com mordacidade para ver se era possível tirá-lo do estupor que ainda persiste.

A fome, a falta de saneamento básico, a completa distância de acompanhamento médico e, tristemente curioso, o mesmo desconhecimento dos rumos políticos de que sofria o Jeca.

Esse Jeca Tatu criado por Monteiro Lobato pode muito bem ser apropriado pelas narrativas tanto da esquerda quanto da direita, utilizou-se da mediocridade do caipira “lobatiano” para menosprezar nossas chances como nação, no que foi seguida por incautos caipiras de diversos matizes.

A nossa atualidade é um enorme canteiro em que as classes privilegiadas são as flores, que estudam fora do país ou em colégios particulares diferenciados pelo ensino, e a imensa massa da maioria, jogada a própria sorte enganada pelas escolas de baixo padrão de ensino é apenas o esterco que engorda essas flores.

A primeira revolução industrial, que surgiu na Inglaterra no fim do século XVIII, mudou o paradigma mundial por acelerar este processo, que era totalmente artesanal, a partir do uso de carvão, vapor e ferro. A produção atingiu patamares nunca antes vistos na época. Os britânicos tornaram-se a principal potência mundial por conseguir produzir de forma barata e rápida produtos em todos os setores.

A segunda revolução industrial, ocorreu em meados do século XIX e teve como protagonistas a eletricidade, a química e o petróleo. O período foi marcado pela massificação da manufatura, e do desenvolvimento de tecnologias como o avião, refrigeradores, alimentos enlatados e os primeiros telefones.

A terceira revolução industrial, por sua vez, é algo mais próximo das gerações atuais. A partir da segunda metade do século XX, a informação se tornou uma importante matéria prima. Os primeiros computadores surgiram e aumentaram a velocidade para se realizar qualquer processo de desenvolvimento científico. Portanto, revolucionou os avanços em todas as áreas do conhecimento. Desde a manipulação atômica até a tecnologia espacial só foram possíveis com o auxílio de um maquinário digital inovador.

A quarta revolução industrial, ou Indústria 4.0, é um conceito desenvolvido pelo alemão Klaus Schwa, diretor e fundador do Fórum Econômico Mundial. Hoje, é uma realidade defendida por diversos teóricos da área. Segundo ele, a industrialização atingiu uma quarta fase, que novamente “transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos”. É, portanto, uma mudança de paradigma, não apenas mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico, a indústria 4.0 tende a ser totalmente automatizada a partir de sistemas que combinam máquinas com processos digitais. É a chamada “fábrica inteligente”.

Mesmo quem não trabalha diretamente nas indústrias inteligentes e automatizadas tem sua vida impactada pela quarta revolução industrial. Estamos experienciando novas formas de consumo, maneiras particulares de se relacionar com produtos e, por consequência, com as outras pessoas. Novos empregos estão substituindo velhas atividades.

Internet das coisasinteligência artificial e robótica são alguns dos campos em que é fácil identificar mudanças práticas para a vida das pessoas. A automação está chegando às casas, ao relacionamento com empresas e, claro, aos smartphones, dispositivos com raízes na revolução digital, mas que, dia após dia, tornam-se mais inteligentes e automatizam as tarefas cotidianas.

Por que, associarmos todos esses avanços mundiais com o atraso do “Jeca”? Porque estamos muito atrasados em relação aos países mais desenvolvidos, estamos sem investimentos em novas tecnologias há mais de 30 anos, estamos patinando economicamente, estamos nos últimos lugares em desenvolvimento educacional, as escolas públicas não tem projetos para o futuro, são poucas as escolas particulares que mostram aos alunos o que esta acontecendo no mundo e qual o futuro das profissões, as universidades estaduais e federais mantem projetos arcaicos por falta de verba, as universidades particulares tratam os alunos como mercadoria, mantem disciplinas sem utilidade alguma, para preencher horário, os alunos sem atrativo para salas de aulas improdutivas estão optando para o EAD (Ensino a Distância), pois ir toda noite para a faculdade torna-se enfadonho.

As empresas fabricantes de produtos intermediários preferem comprar da China, é mais barato, pois tem menos impostos. Os políticos são os piores da história, não existem políticas públicas para a educação, os brasileiros não querem mudar suas preferências, como o Jeca Tatu.

Autor: Claudio Raza.

Adaptação dos artigos de Isaías Dalle (FPA), de João Ortega (Startse) e de Ricardo Bonora (canaltech).

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