SE O CAPITAL HUMANO É TÃO VALORIZADO POR QUE A IMBECILIDADE CONTINUA DOMINANDO NAS EMPRESAS?

Este é o assunto do livro do professor Robert Sutton da Universidade Stanford nos Estados Unidos, lançado no mercado americano com o título “A regra de não aceitar babacas”, e lançado no Brasil com o título “Chega de babaquice”.

Todos nós com raras exceções já nos deparamos com um chefe, um gerente ou um diretor imbecil, ou “babaca” como menciona Robert Sutton, fazendo ou exercendo a imbecilidade empresarial.

Conforme narrado pela editora do artigo Maria Laura Neves, o livro de Sutton é direto em afirmar que esses imbecis ou “babacas” brutais e egocêntricos custam caro às empresas, diminuem a capacidade das equipes de inovar, não sabem manter os talentos, criam situações de assédio moral com processos milionários contra as empresas.

Define também o que é exatamente um “babaca” ou imbecil; é aquela pessoa que grita, humilha os subordinados, nunca está satisfeito, os funcionários estão sempre errados e faz isso na frente dos outros, faz com que as pessoas se sintam oprimidas e desestimuladas; exercitam a crueldade e normalmente tem o poder nas mãos.

Por serem estúpidos e grosseiros com as pessoas passam a imagem de que são competentes, mas na realidade são ruins para as empresas e fazem mal aos outros, a eles próprios e ao negócio. As pessoas se estressam, ficam deprimidas, doentes, deixam de ter idéias, de inovar e usar a criatividade.

Mas, por que os imbecis são tolerados nas empresas? Porque as empresas só pensam no resultado financeiro imediato, estimulando ainda mais o comportamento e o ego do imbecil, ou “babaca” mencionado no livro de Sutton.

Se voltarmos aos anos 70, “líder” era aquele que ia à frente, gritando puxando a turma, era como aqueles sargentos dos filmes, treinando recrutas, gritando, humilhando e os soldados tendo que responder “sim senhor”; e os entendidos da época chamados Relações Industriais, hoje Recursos Humanos, também entraram nessa de que “líder” era feitor e usavam até essa terminologia dentro das fábricas.

Isto ficou tão impregnado na mente dos empresários, psicólogos e palestrante da época, que está difícil até hoje de ser assimilado de que “liderança de equipe”, não de turma ou de grupo, tem um outro entendimento e procedimento; mas como os imbecis de plantão não lêem novas literaturas sobre o assunto, não se reciclam, continuam a oprimir pessoas, achando que o mundo empresarial continua o mesmo.

O erro ainda está nas avaliações de desempenho que só avaliam os outros e não são avaliados sobre o tratamento que dão aos colegas, funcionários, clientes e fornecedores, conforme avaliação denominada 360 graus.

O Feedback 360 Graus, também conhecido como Avaliação 360 Graus, Avaliação Multivisão e Feedback com Múltiplas Fontes é um instrumento que tem por objetivo apoiar o desenvolvimento e melhoria de desempenho gerencial. Em especial, contribui para o desenvolvimento de competências e comportamentos de liderança demandados pela organização que o utiliza.


Trata-se de um processo no qual os participantes do programa recebem simultaneamente feedbacks estruturados de seus superiores, pares, subordinados e outros “stakeholders”. Há também uma auto-avaliação do participante.

Estes feedbacks são fornecidos por meio de um questionário específico que descreve os comportamentos de liderança considerados essenciais pela organização, a fim de viabilizar os seus objetivos estratégicos.

As pessoas que recebem os “feedback” não sabe quem as avaliou; por outro lado, somente ela terá acesso ao resultado integral da avaliação. Trata-se de um instrumento individual: o avaliado utiliza os “feedbacks” recebidos para guiar o seu desenvolvimento profissional, principalmente no que se refere as competências e comportamentos de liderança.

Tendo o poder nas mãos será que aceitariam esse tipo de avaliação? Tente implantar em sua empresa, dependendo da reação dos dirigentes você saberá as verdadeiras intenções da empresa.

Esta é a hora de verificar após a pandemia se os que ficaram na empresa são os melhores ou se continuam com os que se escondem sob o título de “líderes”.

Autor: Cláudio Raza; Gestor de Pessoas para o Negócio; Economista, Professor. – www.claudioraza.com.br   – c.raza@terra.com.br

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