SE VOCÊ TEM POLÍTICO DE ESTIMAÇÃO, TROQUE POR UM CACHORRO – Lucas Oleiro (05/09/2016)

Por que o partido e os candidatos que você adora escolhem membros do PMDB como vice?
Sei que, embora defenda seus candidatos de maneira apaixonada, você não cultiva o hábito de prestar atenção no vice da chapa do candidato que você escolhe na urna. Gostaria de lembrar que em 2004 o atual presidente Michel Temer (PMDB) também foi candidato a vice-prefeito na chapa de Luiza Erundina, que na época era do Partido Socialista Brasileiro. Hélio Bicudo, um dos subscritores do pedido de impeachment da presidente – pedido que foi aceito e utilizado como referência do processo – além de ser um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, foi vice-prefeito da capital de SP na gestão de Marta Suplicy (PMDB), apelidada na época de “Martaxa”.
Para um observador que tenta ser imparcial, é bastante estranha a queixa da militância e de membros do próprio PT. Alguém não sabia o que esperar de uma agremiação que tem Jader Barbalho, José Sarney, Delfim Netto, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Romero Jucá, Edison Lobão, Roberto Requião, Renan Calheiros, Roseana Sarney e Eduardo Paes como membros, e que já contou com Fernando Collor, Quércia, Ciro Gomes, Rosinha e Anthony Garotinho, além de Joaquim Roriz? Quem participaria de uma campanha de crowdfounding ou compraria uma guia de rifa de algum deles?
Então por que o partido e os candidatos que você adora escolhem membros do PMDB como vice?
No sistema de elegibilidade constituído, da “ditadura da maioria”, é importante contar com muito apoio. Fica mais fácil ter mais dinheiro para divulgação, conseguir mais tempo para propaganda na televisão e no rádio e ainda ter um grande número de palanques a disposição, pois passa-se a contar com a força do partido que tem o maior número de prefeitos e vereadores filiados, além da maior representação no Congresso Nacional.
Dá para ter uma ideia de quão importante é o apoio de grandes partidos, pois neste ano de crise o PT faz coligação com o PMDB em 1260 municípios para as eleições; com o PSDB do “golpista” Aécio, são coligações em 734 municípios; e com o DEM, o antigo PFL, que Lula prometeu extinguir da política nacional, são em 723 municípios.
Você ainda pode alegar que esta relação promíscua dos políticos – que são parceiros, enquanto se odeiam – é um fenômeno novo, um “sacrifício” para atingir o poder. Mas não, esta “moralidade líquida” não é de hoje.
Aloysio Nunes Ferreira, um dos senadores que votou pela cassação da ex-presidente, participou da luta armada, foi motorista e guarda-costas de Marighella. Outro “golpista”, o senador José Aníbal, foi colega de Dilma Rousseff na Organização Revolucionária Marxista Política Operária.
Cristovam Buarque, que era filiado ao PT e foi ministro da Educação de Lula, criou o Bolsa-Escola, embrião do Bolsa-Família, quando era governador do DF. Além da própria Marta Suplicy, que enquanto filiada ao PT por 34 anos, foi ministra do Turismo de Lula, ministra da Cultura de Dilma e hoje é candidata a prefeita de São Paulo pelo PMDB – até ainda este ano partido de Gabriel Chalita, agora vice na chapa de Haddad pelo PDT.
Mas eu sei que você costuma não prestar atenção em vice…

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