Um paralelo entre a Grécia e o Brasil

          A Grécia gastou muito mais do que podia na última década, pedindo grandes empréstimos e deixando sua economia refém da crescente dívida, também nesse período, os gastos públicos dispararam, e os salários do funcionalismo praticamente dobraram.

            Quem pagará a conta além do cidadão grego que irá enfrentar situações como se fosse país de terceiro mundo?

            Seria a culpa totalmente da insignificante Grécia o elo mais fraco da corrente européia, ou do Banco Central Europeu, não seria talvez da forte Alemanha, pela sua primeira ministra Angela Merkel, que devido às eleições regionais empurrou a crise para debaixo do tapete, e o presidente francês Sarkozy e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Mas, foi melhor colocar a culpa no faxineiro; já conhecemos essa história.

            A Economia da Grécia é uma economia capitalista mista com grande participação das empresas governamentais tendo como principal atividade o setor de serviços.

            A indústria responde por 22% do PIB, a agricultura por 8%%, enquanto o turismo gera 15% das receitas do País. PIB da Grécia (203.3 bilhões de dólares – 2002) per capita (US$ 19,100) está apenas 70% do nível dos melhores países da União Européia.

            A Grécia é um dos países que mais se beneficiaram da união dos países. Obteve um crescimento de 3,3% em sua economia após a união e vem obtendo taxas de crescimento na casa dos 4%, excedendo em 1% a média da União Européia.

            Possui uma população com mais de 4.7 milhões de pessoas economicamente ativas, com uma taxa de desemprego de 10.3% (2.

            As principais indústrias da Grécia estão ligadas aos setores de: Turismo, Processamento de fumo e alimentos, Têxteis, Produtos metálicos, Petróleo, Agricultura, trigo, milho, cevada, açúcar de beterrabas, azeitonas, tomates, vinho, tabaco e derivados do leite (queijo, manteiga…) 


            Composição do PIB por setor: Indústria, 22.3%, Serviços, 69.3% e
a inflação na Grécia foi de 3.6% (2002).

            Com esses números a Grécia é o grão de areia no deserto das incertezas e no despreparo das lideranças européias, que confiaram demais na sua moeda, mas, esqueceram que o mercado de capitais da Euro – Zona é tão descontrolado como foi a dos Estados Unidos.

            Com todas essas incertezas a única certeza é a desvalorização do euro frente ao dólar, e a queda do padrão de vida dos europeus especialmente o povo grego que foi o designado para pagar toda essa incompetência.

            E como fica a economia brasileira nessa situação? Os investimentos estrangeiros nas bolsas e bancos serão resgatados para retornarem as suas origens, o que já está acontecendo há alguns meses.

            As exportações á Europa sofrerão uma redução que ainda não sabemos, pois são mais de 20% de nossas exportações que são destinadas aos europeus.

            Também poderemos ter uma pequena desvalorização no real, e uma queda nas cotações das commodities, como também um aumento na inflação, que deverá ser controlada pelo corte dos gastos públicos que estão sem controle algum.

            Mas, a grande indefinição está mesmo com a nova presidente do Brasil, terá que fechar as torneiras dos gastos públicos (Gastos do anterior governo que há oito anos vinha gastando além do necessário e criando cobras no quintal); conseguir as aprovações das Reformas: Fiscal, Tributária, Previdenciária, Política, Ficha Limpa, e outras; para colocar esse país no grupo de países sérios sem muita corrupção está quase impossível, pois lobos sedentos, estão impedindo um bom governo.

            Erradicar o analfabetismo, reduzir o desemprego, abrir frentes de trabalhos para os não qualificados profissionalmente, investir em escolas profissionalizantes, investir mais em saúde (hospitais públicos, postos de saúde), educação (escolas e professores), segurança.

            Também em habitação (casa populares e mais baratas), transportes de massa (decentes para se deixar o carro em casa), ferrovias (que foram esquecidas), rodovias (que são boas somente no Estado de São Paulo), portos e aeroportos (que estão saturados e obsoletos).

            Políticas públicas voltadas à agricultura e as micros e pequenas empresas, pois o contrabando e as importações livres prejudicam nossa economia.

            Temos que fiscalizar esses maus legisladores, maus políticos e maus governantes, para não chegarmos a situação atual da Grécia

            Se você cidadão brasileiro acha que tudo isso é muita coisa, tenha a certeza que durante os últimos 30 anos pouca coisa foi feita e nos iludiram com muito e nos contentaram com pouco.

Autor: Cláudio Raza; Economista, consultor, professor Uninove –  c.raza@terra.com.br

 

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